História

Descobrimento

Os primeiros habitantes de Resende, antes da chegada do homem branco, eram de baixa estatura, mas fortes e troncudos. Seus cabelos eram lisos, as orelhas pequenas, o nariz largo e os olhos puxados. Eram nômades e viviam da caça, da pesca e da agricultura primária. Os primeiros habitantes de Resende, antes da chegada do homem branco, eram os índios Puris, termo que em português quer dizer “gente tímida e mansa”.

As terras do atual município de Resende se tornaram conhecidas no Século XVIII, quando a febre do ouro e dos diamantes possibilitou o desbravamento dos atuais Estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais. A região era habitada pelos Puris, que viviam da caça e da pesca e eram nômades. Eles acampavam ora às margens do Rio Paraíba, ora na região alta da Serra da Mantiqueira onde colhiam pinhões quando a caça ficava difícil.

Em 1744, o coronel paulista Simão da Cunha Gago obteve licença para desbravar a região à procura de ouro e pedras preciosas.Ele seguiu para Aiuruoca (MG) de onde desceu a serra com seus companheiros vindo armar acampamento numa colina que avançava sobre o Rio Paraíba – este lugar é hoje o bairro Montese.

Ali foi erguido um altar onde foram rezadas as primeiras missas. Mais tarde, o acampamento foi transferido para o outro lado do rio devido aos constantes incômodos provocados pelos índios às roças e às plantações dos colonos. A este lugar, recém descoberto por Simão da Cunha Gago, deu-se o nome de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova – o primeiro nome do futuro município de Resende.

Já em 1756, o povoado é elevado à categoria de Frequezia, e no dia 29 de setembro de 1801, ele passa a ser considerado Vila de Resende – a mudança do nome é uma homenagem ao Conde de Resende que era o Vice-Rei do Brasil naquela época. Para marcar a elevação de Povoado à Vila foi construído na atual Praça do Centenário um Pelourinho (monumento que tem uma bola de cera no alto e que era o símbolo obrigatório das Vilas).

Naquela época, Resende tinha apenas 4.000 habitantes e foram eleitos então os primeiros vereadores. Não havia prefeito e o vereador mais votado era o presidente da Câmara e também a autoridade responsável pelo cumprimento das leis. Apenas em 1912 é escolhido o primeiro prefeito que passa a atuar a partir de 1913.

Uma curiosidade desta época é o tamanho da Vila de Resende que ia da fronteira de São Paulo até pouco antes da Serra das Araras, além de fazer limite com Angra dos Reis e com Minas Gerais.

Era terra a perder de vista! Com o passar dos anos e com a criação de outras vilas, no entanto, Resende foi perdendo grande parte de seu território. Em 1821 foi construída a primeira ponte de madeira sobre o Rio Paraíba, mas ela foi destruída pela enchente de 1933. Depois, outra ponte de madeira foi feita durando até o fim do Século XIX e em 1905 é inaugurada uma ponte de ferro, a Ponte Nilo Peçanha (Ponte Velha) que resiste ao tempo e até hoje é uma testemunha da nossa história.

Em franco desenvolvimento por causa do plantio do café, em 13 de julho de 1848, Resende finalmente deixa de ser uma simples Vila para ser elevada à categoria de cidade. A população naquela época era de cerca de 19 mil pessoas, sendo cerca de 10 mil livres e o restante escravo.

Índios Puris

Tribos nas margens do Rio Paraíba do Sul: Tamoios, Guarumirins, Guaranazes, Puris, Tupinambás, Temiminós, Guarulhos, Coropós e Goitacazes. As principais aldeias Puris eram onde hoje se situam as cidades de Lorena, Queluz e Resende (Vila da Fumaça).

Por volta de 1780, diante da dificuldade de derrotar os Puris, os brancos contaminam-os com varíola. Em 1788, eles vão fugidos pela Serra da Mantiqueira para áreas onde hoje estão a Serrinha do Alambari, Visconde de Mauá e localidades de Minas Gerais.

Puri (Por-i) significa povo miúdo, de pequena estatura. Eram troncudos de pele vermelha, fina e macia, com cabelos lisos e escorridos sobre os ombros. Povo nômade, moravam sob folhas de bananeiras sustentados por varas, onde acendiam fogueiras e estendiam redes feitas de embira. Só possuíam chefe em tempos de guerra. Os homens faziam armas, caçavam e guerreavam. As mulheres colhiam os alimentos e confeccionavam utensílios de barro e taquara.

O casamento era poligâmico, a união podia ser desfeita pela vontade de um ou de outro e em muitos casos os homens ajudavam com o novo marido. Sua maior diversão era a dança, pintando-se de vermelho (urucum), azul (genipapo) e preto (carvão). Nesses momentos, os puris formavam fileiras de homens e mulheres, sem distinção de idade, e se punham a cantar e dançar.

Viam a morte como uma passagem para outra vida. A imortalidade da alma era inquestionável para essa tribo e o “outro mundo” era visto como uma mata agradável, onde havia muitos pés de sapucaia e caça abundante.

A extinção dos Puris

Para acabar com os constantes incômodos causados pelos índios aos primeiros moradores da região foi chamado o Sargento-Mor Joaquim Xavier Curado. Neste período houve sangrentas lutas e vários índios foram expulsos ou mortos. Só um grupo decidiu ficar e então foi criada na localidade de Fumaça uma aldeia dos Puris. É por isso que até hoje os antigos moradores do distrito chamam a região de Aldeia.

Tempos depois os Puris foram aprisionados para trabalhar como escravos nas fazendas e começou um processo de extermínio dos índios. Para provocar a sua morte, os conquistadores chegaram a disseminar a varíola entre eles. O último a morrer, em 1864, foi o índio Victorino Santará.

O Ciclo do Café

As primeiras mudas de café chegaram a Resende por volta de 1790, trazidas pelo Padre Couto. Elas foram plantadas na Fazenda Monte Alegre em Vargem Grande onde se desenvolveram e se espalharam por todo território. Daqui o plantio de café se expandiu para outras regiões como São Paulo, Minas, Paraná e Espírito Santo.

Por volta de 1840, o café passou a ser a grande riqueza de Resende e os fazendeiros começaram a construir os primeiros sobrados e casarões da cidade. Nesta época, os senhores do café davam festas, importavam seda e porcelana da Europa, além de trazerem professores para ensinar francês e inglês a seus filhos. Daqui o café era levado para o Porto de Angra no lombo de burros, demorando quase oito dias para chegar. Mais tarde, esse transporte passou a ser feito por balsas no Rio Paraíba, de Resende até Barra do Piraí. De lá o café seguia de trem até o Rio de Janeiro. A estrada de ferro chegou a Resende em 1873, acabando com a navegação fluvial.

O declínio do café e a chegada da agricultura

O uso indiscriminado da terra, que começou a tornar-se improdutiva, o aparecimento de pragas na lavoura e a proibição do tráfico de escravos em 1850, fizeram o ciclo do café entrar em decadência. Em 1870 vários cafeicultores se transferiram para o Oeste Paulista, na região de Ribeirão Preto.

Era o declínio do ciclo do café e de uma época de riqueza e ostentação em Resende. Diante deste quadro, emigrantes de Minas Gerais atraídos pelos baixos preços das terras vieram para Resende, dando início a uma nova atividade econômica: a agropecuária, que substituiria a cafeicultura, sobrevivendo no município até hoje.

Só para se ter uma idéia da importância desta fase, basta dizer que Resende chegou a ser responsável por um terço de toda a produção leiteira do Estado do Rio (150 mil litros diários), além de ser a segunda maior produtora de manteiga e queijo. A Cooperativa Agropecuária de Resende, localizada em Campos Elíseos, é uma testemunha desta época e chegou a ter 1.470 cooperados.

Fonte: Prefeitura de Resende